Saneamento é o conjunto de serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais. Esses serviços de infraestrutura são medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde, melhorar a qualidade de vida da população e a produtividade do indivíduo além de facilitar a atividade econômica.

Embora atualmente se use no Brasil o conceito de saneamento ambiental como sendo os 4 serviços citados acima, é mais comum que o saneamento seja visto como sendo os serviços de acesso à água potável, à coleta e ao tratamento dos esgotos.

 

Saneamento no Brasil

O Brasil avança em direção ao objetivo de fornecer serviços universais acessíveis de água potável e saneamento até 2033, conforme previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico. No entanto, ainda há muito a ser feito: em 2015, mais de 33 milhões de brasileiros não tinham acesso à água potável, enquanto mais de 100 milhões não tinham acesso à coleta de esgoto. Quanto ao esgoto, apenas 42% é tratado com consequências para a saúde pública (diarreia, dengue, esquistossomose e leptospirose), economia (altos custos para a indústria para tratamento de água), meio ambiente social (reduzida capacidade de uso da água para fins recreativos) e a biodiversidade (morte de espécies devido à alta carga orgânica e existência de patógenos). Em alguns rios no Brasil, a falta de tratamento de esgoto já está tornando a água inutilizável para fins industriais, levando a custos adicionais significativos para as indústrias e representando riscos para o desenvolvimento da indústria do turismo.

De acordo com o Ranking 2018 realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), apenas quatro cidades brasileiras puderam oferecer aos seus cidadãos acesso total aos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto: São Caetano do Sul, Piracicaba, Santa Fé do Sul e Uchoa, todos no estado de São Paulo. Das capitais, a que está mais perto de chegar ao saneamento integral é Curitiba; o mais distante, Porto Velho, no coração da Amazônia.

Estima-se que lançamos o equivalente a 2.000 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento nos nossos rios todos os dias. A esmagadora maioria dos municípios brasileiros (81%) envia metade do esgoto que produz diretamente para a natureza. Na segunda maior cidade do país, o Rio de Janeiro, é quase 70%.

 

Saneamento apropriado e de baixo custo

O saneamento não precisa necessariamente ser implementado em larga escala e utilizar sistemas caros e complexos conectados a processos e unidades intensivas no consumo de energia e produtos químicos. Há muitas opções de custo mais baixo, como sistemas de saneamento no local, incluindo fossa, uso de coagulantes naturais, filtros de barro, pastilhas de cloro etc.

Sistemas descentralizados e unidades compactas de tratamento de água e esgoto podem ser uma opção de custo mais baixo do que os tradicionais e grandes sistemas centralizados e oferecem maior oportunidade para a recuperação localizada de recursos de energia, água e nutrientes. Além disso, tecnologias de saneamento menos mecanicamente intensivas (ex. reatores anaeróbios e filtros) e sistemas de tratamento natural (ex. lagoas de estabilização de resíduos) podem ter custos operacionais e de capital mais baixos e podem ser mais fáceis de operar do que sistemas de lodo ativado na remoção de patógenos. No entanto, todos esses sistemas de saneamento de baixo custo ainda exigem uma manutenção importante que nem sempre é considerada no projeto e na implementação do projeto.

 

O valor econômico do saneamento

Embora a infraestrutura de saneamento possa ser cara, o retorno sobre o investimento e a criação de empregos é documentado como sendo muito maior. Além disso, a falta de saneamento é conhecida por transmitir grandes custos e perdas de emprego para os setores industrial, de saúde, agrícola e turismo. Por exemplo, uma avaliação para a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em 3 a 34 dólares o retorno de cada dólar investido em água e saneamento, dependendo da tecnologia e da região.

Além disso, o Relatório Mundial de Desenvolvimento da Água das Nações Unidas de 2016 sobre Água e Emprego calculou que 42% de todos os empregos no mundo (1,35 bilhão) são altamente dependentes de água e 36% (1,15 bilhão) são moderadamente dependentes. Desta forma, muitos desses trabalhos dependem de água limpa que pode ser protegida por saneamento adequado.

Investir em saneamento não só tem retornos econômicos positivos, cria empregos e contribui para uma economia vibrante. Ao passo que não investir na provisão de saneamento pode ter um impacto altamente negativo na economia de uma nação. Por exemplo, a epidemia de cólera de 1991 no Peru custou ao país cerca de 700 milhões de dólares, incluindo perdas em turismo e produtos alimentícios.

Estima-se que 17% das mortes anuais são atribuídas à falta de água potável e saneamento e de higiene. Uma população enfermada leva ao absenteísmo escolar e do ambiente de trabalhando, promovendo uma redução do aprendizado e diminuição da produtividade econômica. As águas poluídas de rios, lagoas e mares podem desmotivar potenciais turistas e contaminar os produtos agrícolas se forem utilizados para irrigação, tornando-os mais difíceis de exportar. De fato, estima-se que o saneamento inadequado resulte em aproximadamente US$ 260 bilhões em perda econômica a cada ano no mundo.

No Brasil, em 2017, 34,7 por cento dos 5.570 municípios brasileiros relataram casos de doenças endêmicas ou epidêmicas relacionadas a saneamento básico precário, sendo as mais comuns a diarreia e dengue. O Ministério da Saúde diz que o custo das internações de pacientes no SUS devido à falta de saneamento básico e acesso a água de qualidade atingiu a marca de R$ 100 milhões no mesmo ano. Em vinte anos (2020 a 2040), considerando o avanço gradativo do saneamento, o valor presente da economia com saúde, seja pelos afastamentos do trabalho, seja pelas despesas com internação no SUS, deve alcançar R$ 7,239 bilhões no país.

A ampla demanda por saneamento no Brasil e mundo vem a se configurar como uma oportunidade de negócio. Há oportunidades para a indústria da construção civil na construção de obras de saneamento e engenheiros sanitaristas e civis no desenvolvimento de tecnologias de saneamento condizentes com as necessidades particulares do local de implantação e com o menor custo possível.

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